13 de ago. de 2013

Nunca mais

Acordou com a cabeça atordoada depois
de uma noite moderadamente mal dormida.
Abriu a janela para verificar o tempo,
sem aquela típica irritação por simplesmente
ser segunda feira, e percebeu que naquele
dia não chegaria a ver o sol.
Dia cinzento de inverno,
e ele até que gostava daquilo,
pra dizer a verdade.
Sentia-se feliz, quem sabe.

Pequenos cristais de gelo sobre a grama,
os bueiros respirando e enquanto ele inspirava,
sentia se vivo.
Viu as crianças esperando o ônibus para o colégio
todas em silêncio incomum.
"Minha cabeça agradece", pensou ele.

Porém interrompido pelo bip da cafeteira,
ele percebeu que mesmo o sol não aparecendo,
seu coração estaria aquecido.
Mesmo as crianças silenciosas
não evitariam que seu coração ficasse inquieto.
Mas não tinha nada a ver com as
nuvens ou as crianças e sim pelo sonho.

Sonhou com ela, o que era previsível.
Agora inevitavelmente, mesmo sem antes
ter pensado nela daquela forma,
nunca mais a veria como antes.