9 de ago. de 2012

Rodoviária

Sentado junto à uma mesa num bar podre de rodoviária,
com a terceira xícara de café já na mesa,
esperando meu ônibus chegar, olhei para
aquele reflexo negro e turvo do qual poucos
se dão conta de que existe.

Que vida patética e sem graça eu levo.
Sou um mero coadjuvante em minha própria história.
Só precisei parar uns minutos pra comprovar.
Coisas bonitas acontecem ao redor, mas nunca
envolvem minha pessoa.

É bonito ver que quando o ônibus chega
esposa e filha estão à espera de um homem.
Um abraço apertado e um beijo no qual se vê
no mínimo muito carinho.

É comovente a despedida chorosa quando
a pessoa embarca num ônibus cujo
itinerário indica uma cidade pra fora do estado.

Em uma hora de espera vejo dezenas de
despedidas e de boas vindas.
E penso na possibilidade.
Uma rodoviária poderia ser um recomeço.
Basta comprar um bilhete e partir.
Seria uma espécie de ingresso para uma nova vida.
Nova vida onde poderia ser o personagem que eu quisesse.
Nova vida onde ninguém me conhecesse.


Porém, eu me conheço, e sei que sou incapaz
de arriscar perder o pouco que tenho.