10 de jan. de 2012

Brinde a um suicídio não cometido

Quando se deu por si, percebeu que restavam em sua mão
fragmentos de vidro, vinho e sangue...
Não são preciso muitos detalhes pra você imaginar o que ocorreu...

Ele era de um tipo pacificamente violento,
desses que não brigam com ninguém.
Desses que quebram copos.
Desses que ninguém desconfia que
tem por vezes o desejo de matar todo mundo...
Mas que jamais matará...
mas o desejo ele persiste.

O que sobrou dos estilhaços está no chão.
Entre os estilhaços de ódio, há um resto de vidro que seria tão
Perfeito pro momento...
Perfeito pra desenhar uma linha no seu pulso...
Mas era tão covarde a ponto de não conseguir tirar sua vida...
Ou seria covarde e egoísta se terminasse tudo ali?

De qualquer forma, desistiu mais uma vez de desistir de tudo...
Enfaixou a mão de uma maneira tosca só pra estancar um pouco o sangue
e bebeu o resto do vinho da garrafa.
Brindou sozinho seu suicídio não cometido.